Caça às Bruxas: Noruega constroi monumento em homenagem às bruxas executadas no século XVII

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Caça às Bruxas: Noruega constroi monumento em homenagem às bruxas executadas no século XVII

Foi construído na cidade de Vardø, conhecida como “a capital das bruxas” da Noruega, um monumento dedicado à memória das vítimas torturadas e queimadas durante o período da caça às bruxas.

Durante os séculos XVII e XVIII, mais de quarenta mil pessoas foram torturadas e mortas na Europa acusadas de bruxaria. Localizada no extremo nordeste da costa norueguesa, a cidade Vardø foi um dos lugares onde a perseguição foi ainda mais intensa: Há 400 anos atrás a caça as bruxas condenou pelo menos 91 pessoas, entre homens e mulheres. O número pode não parecer grande, porém a população nesta região sempre foi pequena, logo, estas execuções tiveram um impacto muito maior do que em outros locais.

Um terço dos acusados fazia parte da população indígena Sami que chamou a atenção dos fanáticos religiosos por praticarem rituais de cura. As torturas ocorridas em Vardø foram ricamente registradas e, portanto, os historiadores modernos conseguiram informações detalhadas de como era a mentalidade das pessoas na época.

  • Acreditava-se, por exemplo, que o povo do norte da Europa era mais ligado à bruxaria e à “maldade” do que qualquer outro povo de outros lugares e que, inclusive, o portal do inferno se encontrava na região;
  • Acreditava-se também que a “bruxaria” era algo que poderia ser consumida: por exemplo, uma pessoa que bebesse um leite ou comesse um pão que tivessem sido “marcados” se tornaria uma bruxa e deveria ser morta.

De acordo com um artigo do historiador Rune Blix Hagen da Arctic University of Norway, a onda de acusações de bruxaria começou após uma tempestade durante festas natalinas que matou quarenta pescadores no começo do século XVII. Levou-se três anos para que fosse aprovada por lei a acusação e perseguição em massa de bruxas. Quando uma mulher foi levada ao tribunal e descreveu como as bruxas fizeram nós e lançaram feitiços que causaram os naufrágios, ela foi jogada ao mar, chamada de bruxa e então morta. No ano seguinte, 1621, muitas outras mulheres foram queimadas e torturadas acusadas de bruxaria.

Caça às bruxas: Arrependimento e intolerância

Em 2011 as vítimas receberam reconhecimento oficial. O memorial chamado Steilneset Memorial, foi construído no mesmo local onde as 91 pessoas foram executadas. Construído por colaboração entre o arquiteto suíço Peter Zumthor e pela artista Franco-americana Louise Bourgeois, o monumento contém um longo corredor cercado por uma moldura cruzada e iluminado por 91 lâmpadas. Cada lâmpada ilumina uma janela com uma placa que conta a história dos homens e das mulheres mortos, junto com testemunhos.

Steilneset Memorial - Witches Memorial
A instalação de Zumthor em Vardø

Zumthor descreveu a instalação como: “(…) A instalação de Louise tem mais a ver com o fogo e com a agressão e a minha instalação é mais relacionada à vida e às emoções (das vítimas).”

Próximo ao corredor está a instalação de Bourgeois, uma caixa de vidro com uma cadeira em chamas no centro. Acima da caideira estão três espelhos que refletem o fogo. De acordo com a artista os três espelhos são: “Os Amaldiçoados, Os Malditos e Os Amados.”

Steilneset Memorial - Witches Memorial
A instalação de Bourgeois em Vardø

Fonte: The Daily Beast

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